Chegamos à Escola Municipal de Ensino Fundamental Educador Francisco Pereira da Nóbrega, no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa, com objetivo certo: ver de perto como funciona a Iniciativa Futuro. Na primeira reportagem da série, entendemos o que é o programa e como ele se desenvolve. Agora, vamos compreender como é, na prática, essa política educacional.
Quando o sinal anuncia o fim das aulas, a escola poderia começar a esvaziar. Mochilas seriam colocadas nas costas, os portões se abririam e cada estudante seguiria seu caminho de volta para casa. Mas, o que tem acontecido nas escolas municipais de João Pessoa é justamente o contrário.
Terminada a aula, os corredores ganham novos sons, os espaços mudam de função e os estudantes passam a viver outra experiência dentro da escola. É quando entram em cena os clubes da Iniciativa Futuro, política educacional que amplia o tempo de atividades e oferece novas oportunidades de aprendizagem, convivência e descoberta de talentos.
Na Escola Educador Francisco Pereira da Nóbrega, por exemplo, tem tecnologia, música, dança, leitura, capoeira, futsal, xadrez, karatê e hip hop. As atividades acontecem duas vezes por semana, das 17h às 18h30, com direito a lanche. Uma logística pensada pela própria gestão escolar, mas segue um roteiro básico do programa.
Escola com novos movimentos – Na unidade de ensino em que visitamos, cerca de 300 estudantes frequentam cada turno. Para colocar a Iniciativa Futuro em funcionamento, foi necessário reorganizar espaços, horários e equipes. Funcionários, inspetores, merendeiros e profissionais da limpeza tiveram suas rotinas ajustadas para acompanhar a nova dinâmica e apoiarem o projeto.
“A preocupação era onde colocar esses alunos, quais os horários. Fizemos um remanejamento de locais e também de horários dos funcionários. A escola abraçou o projeto porque acredita na proposta e está vendo que está dando muito certo”, explica a gestora administrativa Rúbia Formiga.
A adesão também surpreendeu a equipe. O futsal já reúne 45 estudantes, divididos em quatro dias. O clube de leitura também deverá se transformar em um megaclube, com capacidade para atender cerca de 45 alunos.
Segundo a articuladora da Iniciativa Futuro, Débora Dantas Ferreira Camelo, a identificação com as atividades tem refletido na frequência. “Tem aluno que vem até doente e a gente tem que dizer que não pode”, brinca.
Os alunos aprovam e dizem se sentir bem felizes participando dos clubes. E, embora o ponto que insere benefício financeiro seja voltado para alunos das séries finais, os clubes básicos abrem espaço para turmas de outras séries que desejam fazer parte das dinâmicas extracurriculares.
Cada clube, uma descoberta – No xadrez, o tabuleiro vira ferramenta de convivência. As peças avançam, as estratégias são pensadas e, enquanto uma partida acontece, outras aprendizagens aparecem. A mediadora Valdemiza Gurgel de Almeida destaca os ganhos cognitivos e sociais. “O xadrez traz muitos benefícios, principalmente socialização. Trabalha o cognitivo, a memória. Competindo, eles estão aprendendo a respeitar um ao outro”, afirma.
No hip-hop, a experiência ganha outra linguagem. Para o mediador Isaías Vicente, a atividade cria uma conexão forte com os jovens. “O hip-hop abraça muito o jovem. É uma ferramenta de transformação. Traz resistência e identidade, aguça o senso crítico na sociedade, traz clareza mental, movimentação do corpo e conhecimento”, ressalta.
No futsal, a bola também carrega ensinamentos que não aparecem no placar. “O esporte consegue fazer com que o aluno tenha o respeito às regras, respeito ao adversário, consegue ter a sociabilização e é notório o melhoramento nas notas e comportamento”, afirma o professor Manoel Camelo Neto.
Quando o livro abre outro mundo – Se a quadra ganhou movimento, a biblioteca também. O clube de leitura cresceu a ponto de a escola planejar transformá-lo em um megaclube. “Está despertando a leitura, outro mundo através dos livros”, observa Rúbia.
A gestora pedagógica Creuza Maria da Silva Isaac percebe os reflexos desse envolvimento na rotina escolar. “Quando a gente traz esse aluno para junto da gente, cativa esse aluno e dá possibilidade de ele escolher o que quer fazer. Já fizemos com que o aluno se torne protagonista”.
Novas perspectivas – A mudança não está apenas nas atividades oferecidas. Está também na maneira como os estudantes passaram a enxergar suas próprias capacidades.
Nas escolas com a Iniciativa Futuro, assim como na Educador Francisco Pereira da Nóbrega, o programa mostra que oferecer novas experiências pode mudar a forma como o aluno se relaciona com a escola e consigo mesmo. Entre uma atividade e outra, surgem descobertas, amizades, habilidades e, muitas vezes, sonhos que ainda não tinham espaço para aparecer. Porque, quando a escola amplia as possibilidades, também ajuda cada aluno a perceber que pode ir mais longe.
Fonte: joaopessoa.pb.gov.br











