O empresário Ivo Kos, figura conhecida no mercado de capitais paulista com mais de 20 anos de atuação como investidor, foi preso em flagrante na noite de sexta-feira (14/8) acusado de agredir brutalmente a esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Falcão Kos, de 27 anos. A prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte (15/8) após audiência de custódia. O caso ganhou contornos de grande repercussão não apenas pela violência relatada — socos, uso de taco de beisebol, ameaças com taser e morte —, mas também pelo histórico profissional do agressor, que responde a processo administrativo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
No ano passado, Ivo foi alvo de denúncia por suposto uso indevido de recursos de fundos de reserva na própria empresa. Neste ano, a área técnica da CVM emitiu parecer preliminar responsabilizando-o pelos danos. Paralelamente, a investigação policial em São Paulo revela um padrão de poder e controle exercido sobre a vítima. Mensagens trocadas pelo casal mostram o empresário utilizando o poderio financeiro e jurídico como arma: “Quem paga e banca essa putaria toda sou eu” e ameaças de acionar um “exército de advogados” contra a dentista e terceiros.
Dinâmica do crime e perfil da vítima
Segundo o boletim de ocorrência lavrado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), as agressões iniciaram-se no carro, durante o retorno de um jantar. Giullia relata ter sido socada pelo marido e ter reagido para se defender. Ao chegar à residência, recusou-se a entrar, mas foi arrastada para dentro do imóvel com ajuda de um segurança particular. Dentro de casa, Ivo a golpeou na mão com um taco de beisebol, a ameaçou com um taser, confiscou seu telefone celular e afirmou que a mataria se ela saísse. A vítima passou a madrugada hospitalizada, tratando lesões no rosto e corpo.
Em sua defesa perante a polícia, Ivo admitiu o soco na via pública, mas negou as agressões no veículo e o uso de armas, invertendo a autoria da violência inicial para a esposa. O advogado Davi Gebara, constituído pelo empresário, limitou-se a declarar que a defesa não se manifestará “em respeito a ambas as famílias”. O inquérito segue sob sigilo na delegacia especializada, apurando os crimes de lesão corporal, ameaça e violência doméstica.