Em um momento de queda na popularidade e dificuldades na relação com o Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou uma decisão que pode agravar ainda mais seu isolamento: nomeou Gleisi Hoffmann como ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela articulação política do governo.
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A escolha de uma das figuras mais polarizadoras do PT já provoca reação negativa no Congresso e no mercado financeiro, elevando os riscos políticos e econômicos para o governo.
Gleisi Hoffmann é conhecida por seu perfil combativo e por ser rejeitada até mesmo por setores da base governista. Seu histórico de embates com parlamentares e sua dificuldade em dialogar com o Centrão fazem dela uma escolha arriscada para um governo que já enfrenta dificuldades no Legislativo.
Se o papel da Secretaria de Relações Institucionais é construir pontes e negociar com o Congresso, a nomeação de Gleisi sinaliza que Lula optou pelo enfrentamento, e não pela negociação.
A escolha pode ser explicada por dois fatores:
- Falta de opções viáveis: O Centrão se recusou a indicar um nome para o cargo, demonstrando que o apoio ao governo é cada vez mais frágil.
- Controle interno do PT: Com Gleisi no comando da SRI, Lula mantém uma aliada fiel e 100% alinhada ao partido, ainda que isso deteriore ainda mais as relações com o Congresso.
Lula já enfrenta dificuldades para aprovar projetos estratégicos, e a escolha de Gleisi pode piorar esse cenário, dificultando a negociação de:
- Reformas econômicas essenciais para o equilíbrio fiscal.
- Pautas importantes no Congresso, que podem ser travadas por resistência política.
- A relação com o Senado, onde a base do governo já é frágil.
Além disso, a nomeação de Gleisi pode fortalecer a oposição, que usará sua rejeição para mobilizar setores insatisfeitos da sociedade e do empresariado.
A resposta do mercado à nomeação foi imediata e negativa. O dólar disparou, refletindo a preocupação dos investidores com o impacto da escolha de Gleisi na governabilidade e na economia.
Às 15h05, o dólar subia 1,08%, cotado a R$ 5,892.
Na máxima do dia, chegou a R$ 5,897.
A moeda acumula alta de 1,7% na semana e segue em tendência de valorização.
A nomeação de Gleisi reforça a percepção de que o governo pode ter dificuldades na articulação política, aumentando a insegurança sobre a capacidade de Lula de implementar políticas econômicas sólidas.
Além disso, os investidores seguem atentos aos rumores sobre uma possível saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, apesar de o governo ter negado a informação. A especulação de um choque entre Haddad e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, contribuiu para a instabilidade no mercado.
Ao insistir em um nome ideológico e de confronto para uma função essencialmente política, Lula arrisca não apenas sua governabilidade, mas também sua popularidade e a estabilidade econômica.
Com um Congresso cada vez mais resistente, um mercado preocupado com os rumos da economia e uma base aliada desconfortável, a nomeação de Gleisi Hoffmann pode ser um dos maiores erros estratégicos do governo até agora.
Se a intenção do Planalto for dobrar a aposta na polarização e no confronto, o resultado pode ser um governo ainda mais isolado, um Congresso menos colaborativo e um presidente cada vez mais impopular.