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Publicado em: 26 de agosto de 2026

Contexto da investigação da PF sobre pressão a Lulinha e negócios do Careca do INSS

Contexto da investigação da PF sobre pressão a Lulinha e negócios do Careca do INSS

A Polícia Federal trouxe à tona, por meio de mensagens trocadas, indícios de que a lobista Roberta Luchsinger tentou mobilizar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) em favor de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde. Os supostos negócios incluíam a compra de produtos de canabidiol e de kits para combate à dengue, mas nenhum acordo foi efetivado. A investigação aponta que a pressão ocorreu antes da mudança de Lulinha para a Espanha, prevista para 2025.

As mensagens fazem parte de uma investigação preliminar e de uma representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a abertura de um inquérito. Os documentos, mantidos sob sigilo, foram obtidos pela Folha. A PF destacou que a lobista teria atuado desde março de 2024 para acelerar as tratativas.

Segundo o material analisado, Roberta manteve contato constante com intermediários, enfatizando a necessidade de envolver o filho de Lula para que as demandas fossem atendidas. Ela buscou pressionar autoridades do Ministério da Saúde, indicando que a participação de Lulinha era crucial para a conclusão dos processos de compra.

Origem da investigação e envolvimento de autoridades

Em mensagem de 23 de janeiro de 2025, Roberta relatou a Gustavo Gaspar que Antônio Camilo estava pressionando para que os negócios fossem concluídos rapidamente. Ela escreveu que o empresário não teria a mesma disposição para cobrar diretamente Lulinha e acrescentou que era importante “o Fábio se mexer”. A PF interpretou a fala como indicativo de que “as demandas solicitadas por Antônio dependem da intervenção de Fábio”.

Gaspar, que também mantinha envolvimento nos negócios, ainda não teve acesso aos autos do inquérito, segundo seu advogado. As mensagens analisadas revelam que, naquele período, Antônio Camilo enfrentava dificuldades financeiras e precisava levantar recursos. Roberta comentou que tinha a sensação de que “a casa do Antônio vai cair”.

Operação Sem Desconto e consequências

Alguns meses depois, Antônio Camilo tornou‑se alvo da Operação Sem Desconto, que investiga supostos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Ele está preso desde setembro do ano passado. A operação também resultou na detenção de Gustavo Gaspar, que atualmente cumpre prisão domiciliar.

A prisão de Antônio Camilo e a detenção de Gaspar ampliaram o foco da investigação da PF, que passou a analisar as conexões entre os negócios de canabidiol, os kits contra a dengue e os agentes políticos envolvidos. O caso ganhou destaque na mídia, embora os documentos permaneçam sigilosos.

Repercussões, pagamentos e respostas das defesas

A PF identificou pagamentos realizados por Roberta em 2024 que totalizaram R$ 217 mil em despesas de Marco Aurélio Ribeiro (Marcola), incluindo faturas de cartão de crédito e financiamento de veículo. A defesa de Marcola negou qualquer participação em negociações do Ministério da Saúde, afirmando:

jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de qualquer outro órgão do governo federal

. Os advogados ainda criticaram a divulgação parcial dos documentos, declarando:

A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro continua sem acesso à íntegra dos autos e do inquérito. Os vazamentos seletivos de trechos da documentação, em vez da totalidade do conteúdo, têm objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral

.

Com a investigação ainda em curso, a Polícia Federal continua analisando as mensagens e os pagamentos para determinar a extensão da suposta influência de Roberta Luchsinger sobre Lulinha e os possíveis impactos nos processos de compra do Ministério da Saúde. O caso permanece sob sigilo, aguardando novos desdobramentos no inquérito aberto pelo STF.

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